Coronavírus, prevenção e a fé.

A vida cristã é uma vida em comunidade. Com a pandemia do coranavírus, cujo o contágio se dá, essencialmente, pelo contato físico entre as pessoas, essa vida em comunidade ficou muito prejudicada. Alguns irmãos, por perceberem que os crentes não estão mais comungando fisicamente por conta do risco do contágio, adotam uma postura irresponsável de alegar que o crente que não vai fisicamente ao culto é um cristão sem fé de que Deus seja capaz de protegê-lo. Mas será mesmo que há respaldo bíblico para que os crentes se exponham ao risco de morte, mesmo em uma pandemia temporária?

As escrituras afirmam que nosso corpo é o templo do Espírito Santo, e quem destrói o templo de Deus, Deus o destruirá (1 Coríntios 3:16-17).  Em toda a história bíblica, Deus se preocupou com medidas sanitárias para preservação da saúde do seu povo. No livro de Deuteronômio, por exemplo, Moisés recomendou que o exército na batalha carregasse também uma espécie de pá para, quando alguém fosse fazer as necessidades fisiológicas, enterrasse em seguida os dejetos (Deuteronômio 23:13). Obviamente, com cerca de 3 milhões de pessoas no deserto, se não houvesse medidas sanitárias, as doenças advindas dos excrementos poderiam trazer inúmeros problemas ao povo de Deus. Era com a integridade física que Deus estava preocupado.

De igual modo, no Novo Testamento, não vemos essa ideia de enfrentamento a todos os riscos da integridade física, a não ser naquelas questões inquisitórias que obrigem a negação da fé. O próprio Deus, ao ver a intenção de Herodes para matar todas as crianças, providenciou o escape do menino Jesus, orientando que os pais o levassem ao Egito (Mateus 2:13-16). Os pais de Jesus percebendo o perigo de morte de Jesus fugiram do perigo e nem por isso foram rotulados de incrédulos, pelo contrário, a fuga foi um ato de fé do jovem casal.

Em Mateus capítulo 24, Jesus orientou que viria uma grande tribulação sobre os judeus, inclusive recomendou que quando chegasse o perigo, eles deveriam fugir para os montes (Mt. 24:16). Para os quem estivessem fora da cidade, ao saber da invasão, Jesus recomendou que estes não deveriam voltar para buscar suas capas, ou coisas de dentro de suas casas, justamente porque haveria o risco de serem mortos ao fio da espada (Mt. 24:18). Essa profecia se cumpriu no ano 70 d.C., quando da invasão romana liderada pelo general Tito, e milhares de pessoas morreram, mas inúmeros judeus foram preservados.

Vale ressaltar que até mesmo para fazermos a obra de Deus, quer seja por meio do evangelismo ou do serviço em comunidade, devemos observar que o Senhor não manda tentarmos contra a nossa integridade física. O apóstolo Paulo, quando estava preso em Roma, escreveu ao jovem pastor Timóteo e o convocou a vir ter com ele. Porém, observe um detalhe que ele disse em 2 Tm. 4:22: “Apressa-te a vir antes do inverno…”. Por que será que Paulo orientou a vinda de Timóteo antes do inverno? A resposta é simples: no inverno o risco de naufrágio era muito grande por conta dos fortes ventos e das ondas, e o apóstolo não queria que seu jovem pastor corresse o risco de morte na viagem. Aliás, quando Paulo estava sendo conduzido preso ao imperador Júlio no livro de Atos cap. 27, ele alertou do perigo de navegar devido aos ventos contrários ao Sul de Creta. Ele, inclusive, alertou o centurião sobre esse perigo.

Senhores, vejo que a nossa viagem será desastrosa e acarretará grande prejuízo para o navio, para a carga e também para a nossa vida”.  Mas o centurião, em vez de ouvir o que Paulo falava, seguiu o conselho do piloto e do dono do navio.  visto que o porto não era próprio para passar o inverno, a maioria decidiu que deveríamos continuar navegando, com a esperança de alcançar Fenice e ali passar o inverno. Este era um porto de Creta, que dava para sudoeste e noroeste.  Atos 27:10-12

Poderia trazer diversos outros textos bíblicos, inclusive do próprio Cristo, os quais demonstram que não há respaldo bíblico no comportamento de muitos irmãos que julgam este ou aquele crente por estar, temporariamente, se protegendo do contágio do coronavírus. Por outro lado, o cristão, ao se proteger do contágio, deve fazê-lo por prudência e não por medo da morte. Jesus certa vez foi conduzido pelos seus opositores para ser precipitado monte abaixo (Lucas 4:29), ele se esquivou e fugiu não porque tinha medo da morte, mas porque a sua hora ainda não tinha chegado. De igual modo o crente deve se proteger e ter prudência não porque teme a morte, mas sim porque a vida é um dom de Deus, e não devemos tentar ao Senhor nosso Deus. (Mt 4:5-7).

Me. Francirley Oliveira

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