Não perca a esperança: O amor de Deus foi derramado em vós.

Se tem uma característica que distingue o Deus Bíblico de outras divindades é a sua personalidade. Por personalidade podemos entender um conjunto de características do caráter que define o ser de Deus. O Deus revelado nas Escrituras não é uma “energia” ou uma “força”, mas um SER com características e atributos comunicáveis ao homem. Ainda que não saibamos a sua forma (João 5:37), podemos ter contato com Ele por meio da fé, pois Ele assim se revelou a nós. Dentre os atributos de Deus, o amor é a expressão máxima que norteia todo o SEU caráter. É a expressão máxima desse amor que foi derramada em nossos corações. Em dias de confusões e angústias, precisamos segurar na esperança desse amor, pois “a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo que nos foi dado”. (Romanos 5:5)

  • A ORIGEM DESSE AMOR

Paulo diz que o “amor de Deus” foi derramado. É interessante observar aqui a expressão grega “agapê tou theou”, cuja forma está no genitivo masculino. O genitivo nos traz a ideia de origem, de posse, de algo que pertence a, ou seja, o texto deixa claro a origem do amor que foi derramado nos corações dos crentes: em Deus. O amor que foi derramado não está baseado em trocas ou em barganha, mas na própria essência de Deus. O amor vem dele. E o destino é o coração dos salvos.

  • O ASPECTO DESSE AMOR

O versículo continua dizendo que o amor de Deus “foi derramando…”. Aqui, novamente, precisamos votar à língua original do Novo Testamento. A expressão “ekkechytai” traduzida por “foi derramado”, encontra-se no tempo perfeito do indicativo grego. Esse tempo denota a ideia de ação dupla: um estado atual como resultado de algo que foi realizado no passado e a existência real dos resultados da ação realizada.

O amor de Deus, portanto, é o resultado presente e contínuo de uma ação que foi realizada por Ele mesmo ao enviar seu Filho para morrer por nós na cruz do Calvário. O versículo síntese das escrituras revela que “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (João 3:16). O aspecto desse amor permeia tempos e épocas.

  • O DESTINO DESSE AMOR

Paulo deixa notório que o destino desse amor é os corações dos crentes. É evidente e claro no texto que esse amor foi implantado nos corações dos salvos por Deus, e ali continuará até à consumação dos séculos. A ideia de uma graça transitória não tem respaldo bíblico, pois quando o amor de Deus se manifesta no coração do homem, toda volição humana passa a ser regida por esse amor. Por isso que o apóstolo João diz em sua primeira carta que “quem ama conhece a Deus, e quem não ama nunca viu a Deus” (1 João 48-9). O amor de Deus nos constrange. Nós não vivemos mais para nossos próprios caminhos, mas para aquele que por nós morreu. (2 Coríntios 5:14-15)

  • O AGENTE DESSE AMOR

O apóstolo dos gentios continua em sua carta dizendo que todo esse amor é executado por meio do Espírito Santo. Este é o agente que aplica o amor de Deus em nossos corações. Não há vida cristã pautada em amor sem a presença do Espírito Santo. Aliás, a Bíblia nos diz que sem o Espírito Santo nós não viveríamos por fé. O mesmo apóstolo revela na carta aos Gálatas que toda nossa vida deve ser pautada pela direção do Espírito Santo (Gálatas 5:25). Uma das expressões do “fruto do espírito” é o amor (Gálatas 5:22). Você saberá diferenciar uma pessoa cheia de Deus e do seu Espírito por meio do fruto que ela produz. O texto base nos diz que o amor foi derramado por Deus e executado pelo Espírito, e ali, no coração do crente, ele permanece. Trata-se da tríplice missão da trindade na execução do plano eterno de Deus. O pai amou, o Filho se sacrificou e o Espírito Santo aplica este amor em nós diariamente.

CONCLUSÃO

O amor é a maior expressão de Deus revelada ao seu povo. A Bíblia Sagrada diz que “Deus é amor” (1 João 4:8), e quando Ele derrama o amor dele em nós, na verdade, Ele está derramando sua própria essência, parte do seu próprio SER. Por isso é perfeitamente harmônica a menção de que “somos moradas de Deus” e que “Espírito de Deus habita em nós” (1 Coríntios 3:16). E esse amor – que foi derramado em nós – revela o caráter de um Deus maravilhoso, que não levou em consideração a nossa miserabilidade e os nossos pecados. Por isso o salmista expressou com propriedade, dizendo: “Que darei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito? (Salmos 116:12). Saiba que a esperança do crente está solidificada no amor de Deus, razão pela qual jamais seremos confundidos quando passarmos pelas adversidades da vida.

Me. Francirley Oliveira

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