Série Visões Cristãs sobre as origens: discordâncias prejudiciais à comunidade cristã

Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?

1 Coríntios 3:3

Na coluna anterior falo sobre as visões cristãs sobre as origens. Veja está tudo no plural, ou seja, não há apenas uma única e exclusiva visão cristã sobre as origens. Outro ponto que destaquei é que nessa série parto do pressuposto que Deus, Aquele que encarnou há mais de 2 mil anos e é trino, é o Criador de todo o universo, mas não deixou explícito os processos físicos ou a receita de como criar detalhada na Bíblia. Então, é bastante plausível discutir os processos naturais que o Senhor utilizou; se são exatamente esses ou aqueles, só saberemos na glória.

Como se “só isso” não fosse o suficiente para grandes debates científicos e teológicos na academia, no meio de todo esse processo aparecem muitas pessoas criticando e apontando heresias. Ou seja, se nós, cientistas cristãos (de toda e qualquer área do conhecimento), nos dispomos a debater os processos físicos de intervenção divina na criação (e não a motivação; esta encontramos apenas no texto sagrado), podemos ser taxados de propagadores de teses contrárias à fé cristã e abaladores dos alicerces do cristianismo. Mas, qual é a relação entre um cristão trabalhar, de forma séria, com a ciência e ver a ação direta de Deus na natureza? Por que uma coisa anularia a outra? Se o Criador utilizou processos naturais que estudamos, descobrimos e experimentamos, quem somos nós para discordar? Agora, se são exatamente esses processos físicos que Ele utilizou, a discussão é outra: na Glória descobriremos.

Com tudo isso em mente e tomando por base a Associação Brasileira de Cristãos na Ciência ABC²), a coluna de hoje será um exemplo prático de como essa (ou outras) instituição científico-cristã pode ajudar no esclarecimento, crescimento e divulgação da boa ciência em conexão profunda com o cristianismo. É claro que não existe apenas a ABC² no Brasil que faz esse tipo de trabalho, de relacionar ciência e fé cristã; poderia citar diversas outras. Mas, como membro e líder de grupo de estudos, conheço como é a prática diária de relacionamento científico-cristã e trabalho (sou voluntário e não empregado / bolsista / freelancer etc) nela.

Apenas relembrando o que já falei na coluna anterior, no primeiro post da CosmoTeo e em várias outras colunas (como aqui): sou membro da Igreja Batista da Graça há quase 10 anos, membro e trabalhador (voluntário e não empregado / bolsista / freelancer etc)  da ABC² desde a sua fundação, mas não falo em nome dessas instituições; tenho minha posição que é completamente livre e de acordo com a liberdade intrínseca que essas comunidades proporcionam.

O QUE É A ABC²?

No site da ABC² você encontra uma ampla informação sobre essa instituição, desde a sua criação até os trabalhos atuais. Lá tem todos os contatos / redes sociais (WhatsApp, telefone (31 3789-0990), e-mail (contato@cristaosnaciencia.org.br), Facebook, Twitter, YouTube, Instagram, Pinterest e LinkedIn), textos e artigos em português, vídeos, podcasts, cursos e loja virtual. Ou seja, uma grande quantidade de conteúdo gratuito e alguns são pagos com valores muito baixo, como cursos on-line e livros. Além de tudo isso, há uma pós-graduação (reconhecido pelo MEC) em interação entre fé e ciência, a primeira desse tipo no Brasil: A Academia ABC² é o braço educativo que está apenas começando.

Em linhas gerais, a ABC² é uma instituição de pessoa jurídica de direito privado, civil, com fins não econômicos, sem finalidade política e sem fins lucrativos. Em outras palavras, é uma associação com princípios e propósitos bem definidos no sentido de estudar, pesquisar, produzir e divulgar informações e conhecimentos técnicos e científicos no diálogo entre a ciência e a fé cristã. Englobando isso, ela promove educação de alto nível nesse diálogo em diversos formatos: produção de material (como citado acima nas redes sociais), cursos (on-line e a Academia ABC²) e trabalho nos grupos de estudo.

Grupos de estudo (GE) são o coração, o cerne e o centro da ABC². Funciona dessa forma: pessoas se reúnem local ou virtualmente (a depender da estrutura do GE) para debater, discutir e estudar temas relacionando fé cristã e ciência. Esses encontros são pautados de forma temática e se utilizando todo tipo de material disponível: palestras com convidados para apresentação de um tema específico, leitura de partes de livro (ou o total), vídeos, artigos (em inglês, português, espanhol ou qualquer outro idioma onde tal conteúdo discutido esteja disponível) ou a combinações métodos acessíveis. Por exemplo: sou líder do GE de Brasília e do GE Temático em Física; sou responsável por montar um cronograma (que é conversado com os membros do GE) com datas e temas, organizar as reuniões e conduzir as discussões. Esses encontros podem produzir trabalhos, como produção de material (texto, áudio ou vídeo) que relacione fé cristã e ciência.

A ABC² DEFENDE QUAL VISÃO CRISTÃ SOBRE AS ORIGENS?

Nessa série estou apresentando quatro visões cristãs sobre as origens: Criacionismo da Terra Jovem (CTJ), Criacionismo da Terra Antiga (CTA), Criacionismo Evolucionário (CE) e Design Inteligente (DI). Na coluna anterior mencionei o motivo de falar apenas dessas quatro: considero-as, talvez, as mais conhecidas pelo público evangélico brasileiro, mas sem esquecer que cada uma dessas 4 visões tem diversas outras variantes e desdobramentos; veremos em cada visão os principais fundamentos e bases.

Como a ABC² trabalha com a fé cristã e a ciência, é normal e natural que ela também trate sobre as origens (do universo, da Terra, da humanidade e do pecado). Mas, qual a visão que a ABC² é signatária ou defende? Vamos ver o que diz o Estatuto Social da ABC², que é o documento que dá vida institucional, no art. 3º, parágrafo 1º:

Enquanto organização, a ABC² não toma posição quando há desacordo honesto entre cristãos em uma questão. A Associação se compromete a prover um fórum aberto no qual controvérsias possam ser discutidas de maneira respeitosa e esclarecedora. Diferenças legítimas de opinião entre cristãos que estudaram tanto a Bíblia quanto a ciência são expressas dentro da Associação em um contexto de amor cristão e preocupação com a verdade.

Traduzindo: a ABC², de forma institucional, não toma partido em qualquer visão cristã sobre origens. Ou seja, a ABC² não é evoteísta, não defende o CTJ, o DI, o CTA, o CE ou qualquer outro tipo de visão ou combinação de visões cristãs sobre as origens. E isso faz parte do cerne, documentado, da associação.

E os membros da ABC²? Como o próprio documento que nos rege menciona, os membros são livres para ter a posição que quiser (inclusive nenhuma posição) sobre as origens. Mas, há um detalhe importantíssimo: as discordâncias entre questões devem ser tratadas de forma honesta, respeitosa e esclarecedora (educada já está implícito em um ambiente permeado por cristãos e cientista).

POSIÇÕES CRÍTICAS CONTRA A ABC²

Constantemente a ABC² é criticada por diversos cristãos e cientistas (não necessariamente os 2 simultaneamente) com alegações de que ela defende alguma visão cristã. Mas, como está explicito em seu estatuto, isso é um absurdo. E na prática (nos grupos, nas publicações de diversas formas, na educação e nos livros endossados e vendidos por ela) é facilmente visto que isso não acontece. Vou tomar meu próprio exemplo: nas reuniões que já conduzi no GE de Brasília, no GE Temático em Física e em diversas palestras que já ministrei, há vários conteúdos sobre todas as visões (CTJ, CTA, DI e CE). Você pode conferir esses detalhes no meu canal do YouTube; sempre que é possível, gravo a apresentação que faço e disponibilizo (de forma gratuita, livre e pública). Em outras palavras, a ABC² não é evoteísta ou qualquer coisa do gênero. Mais detalhes podem ser vistos dentro do site da ABC² onde ela detalha esse e outros pontos https://www.cristaosnaciencia.org.br/o-falso-e-o-verdadeiro-nos-ataques-recentes-a-abc%C2%B2/.

NATUREZA DAS CRÍTICAS

Recentemente, Marcos Eberlin (presidente da Sociedade Brasileira do Design Inteligente e coordenador da Discovery-Mackenzie ) escreveu um texto em seu site onde tece várias críticas (que já foram feitas anteriormente em seu canal do YouTube como ele mesmo menciona) a ABC² e que são claramente infundadas. Uma dessas críticas, por exemplo, é direcionada a membros da ABC². Como disse acima, a instituição ABC² não defende posição alguma, mas seus membros são livres. Ou seja, um membro da ABC² defender a teoria da evolução ou a criação instantânea de todas as coisas não implica que a instituição o faça: está no estatuto não ocorrer tal fato.

Um outro detalhe que o Eberlin cita em seu texto é que a Templeton financia a ABC² “com milhões de dólares, paga bolsistas, promove congressos para pastores e líderes com foco no evolucionismo teísta, publica e dá grandes descontos em livros sobre criação evolutiva, e avança focada em pregar, nas igrejas, a tese da conciliação de Deus com Darwin” (irei detalhar, quando for falar sobre CE, o que é evolucionismo teísta e criação evolutiva). A Fundação Templeton não faz esse tipo de serviço: basta verificar em seu próprio site o que ela é e quais seus objetivos. Por outro lado, a ABC² não é financiada, sem restrição como dá a ideia, pela Templeton: a fundação John Templeton tem um rigoroso padrão, internacional e público, de concessão de subsídios. O que a ABC² faz é como qualquer outra instituição ou pessoa física: constrói um projeto, imputa à fundação e concorre de forma igualitária.

Agora, no mesmo texto ele faz uma acusação séria: menciona que a Templeton, através da ABC², propaga associação de teorias de evolução com a fé cristã e ainda me utiliza em 2 exemplos, que são eventos com os quais participei com um enorme prazer: As bases do criacionismo evolutivo e A evolução do universo e sua conexão com a teologia cristã. Pude gravar, a apresentação que fiz: você pode conferir aqui e aqui, respectivamente. Como você mesmo pode ver, essas 2 palestras não são de propagação de evolucionismo teísta, e sim, de apresentação temática. Aliás, apenas a primeira; a segunda não falo de teoria da evolução ou qualquer coisa do tipo, apenas de cosmologia, ciência que estuda o universo.

Outro problema nessa acusação que ele coloca é dar a entender que eu sou financiado pela Templeton ou qualquer coisa do tipo. Não, não recebo bolsa, financiamento ou emprego da Templeton (não seria uma má ideia receber alguns milhares de dólares na minha conta, principalmente no momento que estou vivendo como desempregado). Um outro ponto que ele menciona é na linha editorial que a ABC² promove em parceria com outras editoras na publicação de livros, dizendo que “o único livro promovido pela ABC² que inclui visões compatíveis com a teologia cristã é  A Origem: Quatro Visões Cristãs Sobre Criação, Evolução e Design Inteligente, mas que apresenta o evolucionismo teísta como uma opção compatível com o cristianismo e a Palavra de Deus”. Mas, evolucionismo teísta não é uma visão (ou um segmento) cristã? No Dicionário de Cristianismo e Ciência, que sempre recomendo, não fala do CTJ, CTA e DI? No livro Criação ou Evolução: precisamos escolher? fala apenas de evolucionismo teísta? A visão do escritor do livro Fé, esperança e tecnologia, Egbert Schuurman, não é de um evolucionista teísta; isso conta?

Uma outra crítica que Eberlin faz é sobre o financiamento da Templeton: financia apenas quem está alinhado com sua agenda e não fora dela. Já pensou em uma fundação que financia projetos contrários à sua agenda? Seria meio problemático. Outro ponto é que a Templeton financia quem se adequa a áreas específicas (veja aqui quais são). Se a pessoa física ou instituição acredita em CTJ, CTA ou DI, isso não é importante: o que é determinante é a área de financiamento e a participação na seleção do subsídio. Se a ABC² conseguiu financiamento (que é temporário e limitado), o motivo é que o projeto proposto se adequou aos requisitos da fundação Templeton, foi concorrente e ganhou.

A ABC² DEFENDE QUE GÊNESIS É UMA ALEGORIA?

O último ponto que mencionarei sobre essas represálias é a difusão de que a ABC² defende que o livro de Gênesis é uma alegoria. De onde isso é tirado, eu não sei. Como já mencionei aqui, a ABC² estuda e trabalha com todas as visões cristãs sobre as origens, inclusive com visões que defendem uma interpretação bíblica literal (no sentido estrito e descritivo da narrativa) de Gênesis 1 a 11: por exemplo, algumas bases do CTJ perpassam por esses pontos. Eu mesmo, no canal do YouTube, já falei sobre a narrativa de Gênesis como literal (CTJ) ou concordista com a ciência (como algumas linhas do CTA defendem).

Outro ponto apontado por Eberlin no seu texto é que John Walton “… não só defende que Gênesis é uma alegoria, como o confunde com mitologia”. Eu não sei qual a definição que Eberlin está usando de mitologia; então deixarei o próprio prof. John Walton explicar:

Mythology by its nature seeks to explain how the world works and how it came to work that way, and therefore includes a culture’s “theory of origins.” We sometimes label certain literature as “myth” because we do not believe that the world works that way. The label is a way of holding it at arm’s length so as to clarify that we do not share that belief—particularly as it refers to involvement and activities of the gods. But for the people to whom that mythology belonged, it was a real description of deep beliefs. Their “mythology” expressed their beliefs concerning what made the world what it was; it expressed their theories of origins and of how their world worked.

By this definition, our modern mythology is represented by science—our own theories of origins and operations. Science provides what is generally viewed as the consensus concerning what the world is, how it works and how it came to be. Today, science makes no room for deity (though neither does it disprove deity), in contrast to the ancient explanations, which were filled with deity.

The lost World of Genesis one: ancient cosmology and the origins debate, editora IVP Academic, págs. 12 e 13, por John H. Walton

Uma tradução livre, feita por mim, talvez esclareça alguns pontos:

A mitologia, por sua natureza, procura explicar como o mundo funciona e como passou a funcionar dessa maneira, portanto, inclui a “teoria das origens” de uma cultura. Às vezes, nomeamos determinada literatura de “mito” porque não acreditamos que o mundo funcione dessa forma. O rótulo é uma maneira de segurá-la com o braço estendido para esclarecer que não compartilhamos dessa crença – particularmente no que se refere a envolvimento e atividades dos deuses. Mas para quem essa mitologia pertencia, era uma descrição real de crenças profundas. Sua “mitologia” expressava suas crenças sobre o que tornava o mundo o que era; expressava suas teorias de origens e de como seu mundo funcionava.

Por essa definição, nossa mitologia moderna é representada pela ciência: nossas próprias teorias de origens e operações. A ciência fornece o que geralmente é visto como o consenso sobre o que é o mundo, como funciona e como surgiu. Hoje, a ciência não abre espaço para divindade (embora também não a refute), em contraste com as antigas explicações, que eram repletas de divindades.

Tradução livre do inglês do livro The lost World of Genesis one: ancient cosmology and the origins debate [O mundo perdido de Gênesis 1: cosmologia antiga e as origens do debate. Disponível apenas em inglês], págs. 12 e 13, escrito por John H. Walton

Permita-me, caro leitor, colocar um outro texto, também do prof. John Walton:

Eis o modo como o paradigma funciona: antes de mais nada, existe um mundo real, mas a Bíblia não o descreve [destaque do autor] de maneira autoritativa. Sua descrição é tanto condicionada culturalmente (céu sólido, águas acima etc.) quanto modelada retoricamente. Não podemos derivar uma explicação científica do mundo a partir da Bíblia, e seria incorreto tentar encontrar evidencias científicas para essa descrição. Todavia, a Bíblia de fato interpreta [destaque do autor] autoritativamente esse mundo (a obra de Deus no mundo e sua relação com ele).

O mundo perdido do dilúvio: teologia, mitologia e o debate sobre os dias que abalaram a Terra, editora Thomas Nelson Brasil, págs. 21 e 22

John Walton, no momento que estou escrevendo esta coluna, é professor universitário de Antigo Testamento no Wheaton College. É um acadêmico de primeira linha, ainda em plena atividade, com um extenso currículo que envolve uma grande lista publicações, e ainda é pesquisador. Para mais detalhes sobre sua pesquisa e publicações, vide no site da Wheaton College.

Olhando para o que o próprio Walton coloca, nesses trechos que destaquei, mitologia não é uma história inventada: é uma narrativa explicativa sobre como o mundo funciona no sentido (olhando de nossa perspectiva) de intencionalidade, propósito ou função. Inclusive, no livro O mundo perdido de Adão e Eva: o debate sobre a origem da humanidade e a leitura de Gênesis (editora Ultimato em parceria com a ABC²), Walton vai trabalhar muito sobre essa ideia de que Gênesis (principalmente de 1 a 3) é uma narrativa sobre a organização, funcionalidade e propósito do universo, que inclui os humanos (representados em Adão e Eva).

Outro aspecto que Walton coloca é a autoridade bíblica: ela não é perdida. Aliás, continua como sempre foi, desde o Antigo Testamento até o Novo Testamento: Palavra de Deus inspirada. Obviamente, e nem é preciso invocar professores de teologia do calibre de Walton, a Bíblia não tem ciência no sentido que entendemos de ciência hoje. Se tivesse, minha vida seria tão fácil: eu não precisaria passar horas, virar noites e madrugadas, calculando equações, na mão, de cosmologia quântica e apresentar uma tese a uma banca de professores; bastaria copiar o texto de Gênesis 1 e pronto!

Mas é lógico que o texto sagrado fala sobre algumas coisas que hoje vemos como “verdade científica”: o Sol brilha (surpresa?), a chuva cai (novidade?) e as plantas crescem (assombrado?). Claro, também, que o texto bíblico não fala em linguagem científica! Inclusive, se a gente for lê-lo de forma literal, ou seja, ao pé da letra, teremos milhões de problemas. Por exemplo, que o Sol gira ao redor da Terra e até para (sobre esse fenômeno, vide a coluna Josué: Sol, lua e a ação de Deus).

Resumindo esse ponto: Walton não defende que mitologia é uma história inventada (como podemos pensar em uma primeira vista) e a Bíblia não tem “verdades científicas” e nem teorias como trabalhamos na ciência.

CONCLUSÃO

A coluna de hoje foi mais informativa e, talvez, em formato de apresentação de como funciona a ABC². Usei-a como exemplo, nessa discussão entre ciência e fé cristã, por eu fazer parte de sua instituição. Além disso, ela também é uma aplicação prática de como relacionar ciência e fé cristã na apresentação das visões sobre origens. É claro que a ABC² não trabalha apenas com Gênesis, biologia, genética ou cosmologia: neurociência, educação, tecnologia, economia e filosofia são apenas algumas outras áreas de estudo e trabalho em seu escopo.

As próximas colunas dessa série focarão nas visões especificamente, alguns dos seus fundamentos e bases. A princípio, não destacarei problemas na apresentação da visão; farei isso em outro momento (sim! Todas as quatro visões têm sérios problemas que ainda não estão resolvidos, tanto de ordem teológica quanto científica).

Um último ponto que quero mencionar é o quanto esse tipo de “discussão” (acusações, desinformações e fake news) são prejudiciais a um bom diálogo. É simplesmente desnecessário esse tipo de conversa: gasta-se muito tempo em questões infundadas, troca de farpas desnecessárias e o conteúdo principal não é debatido. Como se trata de visões cristãs sobre as origens, já está implícito que nenhuma delas fere as bases do cristianismo. As discussões vão sobre evidencias científicas, escolas de interpretação (como mencionei na coluna anterior) e como relacionar essas duas áreas. Não está em jogo a salvação individual ou a ortodoxia cristã: o que estamos fazendo é estudar a criação feita por Deus, entender os processos naturais (em questão de origens) e colocar, em prática, o mandato cultural:

E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.

Gênesis 1:28

Ficou em dúvida, quer perguntar algo ou fazer alguma crítica / sugestão? Deixe nos comentários abaixo e terei o prazer em te responder aqui ou em algum artigo específico.

Sugestão de leitura

  • A origem: quatro visões cristãs sobre criação, evolução e design inteligente, de Ken Ham, Hugh Ross, Deborah Haarsma e Stephen Meyer. Editora Thomas Nelson Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Cristãos na Ciência;
  • O melhor material, em português, no assunto entre ciência e fé cristã é o Dicionário de cristianismo e ciência, editora Thomas Nelson Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Cristãos na Ciência;
  • Site da Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC2), que tem milhares de artigos, vídeos e livros já publicados sobre essa temática: https://www.cristaosnaciencia.org.br
  • O mundo perdido de Adão e Eva: o debate sobre a origem da humanidade e a leitura de Gênesis, de John Walton. Editora Thomas Nelson Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Cristãos na Ciência;
  • O mundo perdido do dilúvio: teologia, mitologia e o debate sobre os dias que abalaram a Terra. Editora Thomas Nelson Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Cristãos na Ciência;
  • The lost World of Genesis one: ancient cosmology and the origins debate, editora IVP Academic.
Da esquerda para a direita: Millikan (descobridor da carga elétrica do elétron), padre Lemaître (um dos pais da teoria cosmológica do Big Bang) e Einstein.
Fonte: https://cosmosmagazine.com/sciences/physics/georges-lemaitre-comes-in-with-a-bang/
Dr. Alexandre Fernandes

Até a próxima!

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